O que é comunicação política — e o que ela não é
Há uma confusão produtiva — e ao mesmo tempo nociva — que persiste na prática e na teoria da comunicação política brasileira: a tendência de tratá-la como sinônimo de assessoria de imprensa, como extensão do marketing comercial ou, pior, como um conjunto de técnicas de manipulação da opinião pública. Nenhuma dessas aproximações é inteiramente errada, mas todas são insuficientes para compreender o que está em jogo quando um governo, um candidato ou uma instituição política escolhe como se comunicar.

Artigos e Análises Relevantes
Textos aprofundados sobre marketing político, comunicação estratégica e políticas públicas, organizados para facilitar sua leitura.

Campanha não é só marketing: por uma compreensão estratégica
Toda vez que uma campanha eleitoral falha, a explicação mais frequente aponta para problemas de comunicação: o candidato “não soube se vender”, o marketing “errou o tom”, o slogan “não colou”. Essa narrativa é parcialmente verdadeira e amplamente enganosa. Ela captura a parte visível do problema — a comunicação — e ignora a parte decisiva: a estratégia política que deveria preceder, orientar e avaliar qualquer decisão de comunicação.

Por que boas políticas públicas falham e o que isso revela sobre o Estado
Em setembro de 2011, o governo federal lançou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec. A meta era oferecer oito milhões de vagas em cursos de qualificação profissional até 2014. A política tinha diagnóstico correto, respaldo político e recursos garantidos. Cinco anos depois, auditorias do Tribunal de Contas da União revelavam taxas de conclusão que variavam entre 30% e 60% dependendo da modalidade.

Análise estratégica x comentário político: a distinção que queremos
Em um ambiente de informação saturada, abundância e escassez coexistem de forma paradoxal. Nunca houve tantos conteúdos sobre política disponíveis — análises, comentários, newsletters, podcasts, threads, vídeos, dossiês, livros. E ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil encontrar o que de fato ajuda a compreender o que está acontecendo e por quê.
A saturação não é de informação. É de comentário, que reage ao evento sem contextualizá-lo.
A comunicação de governo em ano eleitoral: onde a informação termina e começa a campanha
Há uma tensão que todo governo em ano eleitoral enfrenta — e que raramente é nomeada com clareza suficiente para ser gerenciada com competência: a fronteira entre comunicação de governo e comunicação de campanha não é apenas jurídica. É, antes de qualquer coisa, uma fronteira ética e estratégica, cujo desrespeito tem custos que se acumulam ao longo do tempo e se cobram precisamente no momento em que a campanha mais precisa de credibilidade.

