O prazo para as convenções partidárias encerrou na última quarta-feira, 5 de agosto, e com ele se fechou a primeira grande etapa do calendário eleitoral de 2026. Ao todo, 13 nomes foram escolhidos pelos partidos para disputar a Presidência da República, formando o campo mais amplo de candidaturas presidenciais dos últimos anos.
A maior parte das chapas é classificada como puro-sangue, ou seja, o candidato a presidente e o vice pertencem ao mesmo partido. A única exceção entre as candidaturas de maior expressão é a de Lula, que manteve a aliança com o PSB ao repetir a dobradinha com Geraldo Alckmin, vencedora em 2022.
A seguir, um raio-x de cada candidatura confirmada, com os dados relevantes sobre cada chapa.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB)
Lula foi oficializado pelo Partido dos Trabalhadores no dia 2 de agosto, em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reuniu militantes de todo o país e foi desenhado pela campanha como uma demonstração de força, em contraste com a cerimônia discreta de 2022.
A chapa repete a composição vitoriosa da última eleição, com Geraldo Alckmin confirmado como vice pelo PSB em convenção realizada em 29 de julho, em Brasília. Lula disputará seu quarto mandato como presidente da República, tendo governado o país entre 2003 e 2010 e retornado ao cargo em 2023.
Entre as candidaturas presidenciais confirmadas, a de Lula é a única com apoio formal de outros partidos, reunindo a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, além do PDT e do PSB. O MDB optou pela neutralidade e liberou seus diretórios estaduais para apoiar livremente qualquer candidato.
Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL)
O senador Flávio Bolsonaro foi oficializado pelo Partido Liberal em 25 de julho, na Arena Pacaembu, em São Paulo. A convenção reuniu o maior evento de lançamento presidencial do ciclo, com a presença do presidente argentino Javier Milei e a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial simulando o ex-presidente Jair Bolsonaro declarando apoio ao filho — episódio que gerou investigações jurídicas e uma crise diplomática com a Argentina, ainda em desdobramento.
Flávio fechou a chapa apenas no dia 5 de agosto, último dia do prazo, ao anunciar o deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, como seu vice. A chapa é puro-sangue. O PL não formou coligação nacional com outros partidos para a disputa presidencial.
Nas pesquisas de intenção de voto, Flávio aparece consistentemente como o segundo colocado, disputando o segundo turno com Lula.
Ronaldo Caiado (PSD) e Gilberto Kassab (PSD)
O ex-governador de Goiás foi confirmado pelo PSD em convenção nacional realizada em 26 de julho, em São Paulo. A candidatura marca um marco histórico para o partido: é a primeira vez desde sua fundação, em 2011, que o PSD lança um candidato próprio à Presidência da República.
A chapa é puro-sangue e tem Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, como vice. No discurso de lançamento, Caiado adotou o posicionamento de alternativa ao PT e ao bolsonarismo simultaneamente, disputando o eleitorado de centro-direita que ainda não está consolidado em torno de Flávio Bolsonaro.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, havia sido anunciado como presença no evento, mas não compareceu. A ausência foi amplamente interpretada como sinal de que Tarcísio mantém sua aposta em Flávio Bolsonaro.
Romeu Zema (Novo) e Eduardo Girão (Novo)
O ex-governador de Minas Gerais foi oficializado pelo Partido Novo em 27 de julho, em convenção realizada de forma virtual em Brasília. Zema renunciou ao governo de Minas em março deste ano para viabilizar a candidatura presidencial.
A chapa ficou sem vice até os últimos dias do prazo. As negociações com o Podemos e com a Democracia Cristã, onde o ex-ministro Joaquim Barbosa chegou a ser cotado, não avançaram. O nome de Eduardo Girão, senador filiado ao Novo, foi confirmado para completar a chapa puro-sangue antes do encerramento das convenções.
No discurso de lançamento, Zema propôs enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, defendeu a construção de um presídio federal na Amazônia para lideranças do crime organizado e indicou que concederia indulto a Jair Bolsonaro e aos presos pelos atos do 8 de janeiro, caso eleito.
Renan Santos (Missão) e Aroldo Medina (Missão)
O empresário Renan Santos é o candidato do partido Missão, legenda de perfil conservador e cristão. A chapa é puro-sangue, com Aroldo Medina como vice. Renan Santos aparece em terceiro lugar em algumas pesquisas de intenção de voto, tecnicamente empatado com Caiado e Zema, com cerca de 3% das intenções.
Augusto Cury (Avante)
O escritor e psiquiatra Augusto Cury foi oficializado pelo Avante em 3 de agosto. O partido ainda não havia definido o candidato a vice no encerramento do prazo das convenções. O nome deverá ser formalizado até o registro das candidaturas no TSE, previsto para 15 de agosto.
Edmilson Costa (PCB)
O Partido Comunista Brasileiro manteve candidatura presidencial própria com Edmilson Costa. A candidatura se posiciona à esquerda do PT, de forma independente à Federação Brasil da Esperança.
Samara Martins (Unidade Popular)
A Unidade Popular formalizou a candidatura de Samara Martins, dentista e ativista política, também à esquerda do espectro eleitoral e fora da coligação governista.
Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB)
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado lançou Hertz Dias como candidato presidencial, completando o campo à esquerda independente. O PRTB, por sua vez, oficializou Leonardo Avalanche. Ambas as candidaturas têm perfil de menor expressão eleitoral nas pesquisas.
Rui Costa Pimenta (PCO)
O Partido da Causa Operária realizou sua convenção em 1 de agosto e confirmou Rui Costa Pimenta, presidente da legenda, como candidato à Presidência.

O que acontece agora
As candidaturas definidas nas convenções ainda não são, juridicamente, registros formalizados. Para que os nomes apareçam na urna, cada partido precisa protocolar o pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral até as 19 horas do dia 15 de agosto, com toda a documentação exigida por lei.
Após o envio, a Justiça Eleitoral analisará as condições de elegibilidade de cada candidato, verificando requisitos como idade, filiação partidária, quitação eleitoral e ausência de causas de inelegibilidade. Somente após o deferimento do registro a candidatura estará apta a participar formalmente da campanha, dos debates e da distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto.


Deixe um comentário